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O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou, no encerramento de março de 2026, as novas projeções de carga para o mês de abril, indicando uma expansão de 2,8% no Sistema Interligado Nacional (SIN) em comparação ao mesmo período do ano anterior. O dado, consolidado no relatório do Programa Mensal de Operação (PMO) para a primeira semana operativa de abril, aponta para uma demanda média estimada em 88.178 MW médios. Este avanço sinaliza uma reversão na tendência de retração observada em março, quando o sistema registrou uma queda pontual de 0,5% no consumo consolidado, reflexo de variações climáticas atípicas no encerramento do verão.
A aceleração da carga em abril é atribuída, primordialmente, à combinação de fatores meteorológicos e fundamentos macroeconômicos. De acordo com os estudos prospectivos do ONS e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o território brasileiro enfrenta um cenário de temperaturas ligeiramente acima da média histórica para o início do outono. Esse fator sustenta o uso intensivo de sistemas de refrigeração e climatização, especialmente nos grandes centros urbanos. Adicionalmente, a retomada gradativa da atividade industrial e a expansão do setor de serviços, impulsionada por novos empreendimentos de infraestrutura digital e data centers, têm elevado a base de consumo de energia elétrica no país de forma sustentada.
Desempenho Regional e Vetores de Expansão
A análise detalhada por subsistema revela comportamentos distintos, evidenciando o papel das regiões Norte e Nordeste como os principais motores da expansão da demanda. O subsistema Norte lidera as projeções de alta, com uma expectativa de crescimento de 5,8% (7.785 MW médios), impulsionado pela demanda industrial e pela manutenção de altas temperaturas na região amazônica. O Nordeste apresenta um cenário similar, com um incremento projetado de 4,7% (13.298 MW médios), refletindo tanto o consumo residencial quanto o dinamismo de novos polos produtivos.
No subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que concentra o maior peso do PIB industrial e a maior carga absoluta do país, a demanda deve apresentar uma elevação moderada de 2,1%, totalizando 51.171 MW médios. Já o subsistema Sul projeta o crescimento mais tímido do país, com alta estimada em 1,2% (15.924 MW médios). O monitoramento especial do ONS para o período da Semana Santa também é um componente central no planejamento deste mês, visando ajustar as curvas de carga mínima para garantir que as oscilações típicas de feriados prolongados não comprometam a estabilidade operativa do sistema em termos de controle de tensão e frequência.
Perspectivas Hidrológicas e Gestão de Armazenamento
Apesar do crescimento projetado na demanda, as condições de segurança eletroenergética permanecem dentro de parâmetros confortáveis para o início do período seco. O ONS projeta que a Energia Natural Afluente (ENA) para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste fique em torno de 78% da Média de Longo Termo (MLT) em abril. Com isso, os reservatórios da região, que funcionam como a “caixa d’água” do sistema brasileiro, devem encerrar o mês com um volume útil de 69,7%.
Este nível de armazenamento é estrategicamente superior ao registrado em ciclos de escassez hídrica anteriores, o que confere ao ONS uma margem de manobra otimizada para o despacho termelétrico. Em termos nacionais, a expectativa é que o SIN termine abril com aproximadamente 71,4% de sua energia armazenada total. No subsistema Sul, embora as afluências continuem sob monitoramento devido à irregularidade de chuvas em meses anteriores (ENA projetada em 35% da MLT), a robustez das interligações permite o intercâmbio de energia de outras regiões, mitigando riscos de suprimento.
Impactos no Mercado e Estabilidade Tarifária
No âmbito comercial e regulatório, o cenário de abundância hídrica permitiu que a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) confirmasse a manutenção da Bandeira Verde para o mês de abril de 2026. A decisão reflete o baixo custo marginal de operação e a reduzida necessidade de acionamento de usinas térmicas fora da ordem de mérito econômico. Para o consumidor final e para a indústria, isso significa a ausência de encargos adicionais na fatura de energia, o que auxilia na competitividade do setor produtivo.
O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) deve permanecer próximo ao piso regulatório em quase todos os submercados, favorecendo estratégias de curto prazo no Ambiente de Contratação Livre (ACL). Contudo, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) ressalta a importância de manter a vigilância sobre a expansão das linhas de transmissão. Com a carga crescendo a patamares próximos de 3%, o escoamento eficiente da geração renovável (eólica e solar) do Nordeste torna-se vital para equilibrar o suprimento nos grandes centros consumidores sem a necessidade de despachos térmicos caros.





