Dinâmica do Preço Realizado (Mês Corrente)
No mês de abril de 2026, a trajetória do PLD apresentou um movimento de alívio acentuado nos primeiros dias. Analisando o submercado Sudeste/Centro-Oeste (referência do SIN), a média diária recuou rapidamente ao longo do período observado, registrando uma média consolidada no mês corrente de R$ 225,55/MWh.
A tendência primária é de queda, com o pico máximo ocorrendo no dia 01/04/2026, atingindo o valor de R$ 327,32/MWh, seguido de um declínio contínuo até o vale profundo de R$ 143,58/MWh registrado em 04/04/2026. Esse esvaziamento do Custo Marginal de Operação (CMO) denota uma melhora conjuntural nas condições de atendimento à carga nos primeiros dias do mês.
Análise de Descolamento (Atual vs. Histórico)
Os parâmetros de normalidade do histórico recente indicam uma mediana de R$ 304,44/MWh, um 3º quartil posicionado em R$ 336,37/MWh e máximas horárias extremas que alcançaram R$ 1.611,04/MWh em episódios de estresse severo.
A média diária atual (R$ 225,55/MWh) não rompeu o 3º quartil histórico; pelo contrário, posicionou-se consideravelmente abaixo da mediana estatística. A distância exata da média atual para o piso tarifário vigente (R$ 57,31/MWh) é de R$ 168,24/MWh.
Conclusão matemática: O CMO atual rechaça um cenário de estresse agudo, afastando-se drasticamente das máximas históricas. Ao mesmo tempo, o prêmio de R$ 168,24/MWh acima do piso evidencia uma sustentação de preços moderada, indicando que o sistema não entrou em estágio de vertimento generalizado de turbináveis.
Fragmentação Regional e Restrições de Intercâmbio
A dinâmica de preços no mês corrente não é sistêmica. A matriz de spreads revela fragmentação severa devido a saturações nos limites de intercâmbio do SIN.
📉 Submercados Norte e Nordeste – Restrição de Exportação
Em relação ao Sudeste/Centro-Oeste, os submercados Norte e Nordeste apresentaram um descolamento negativo intenso, com spreads médios de -R$ 43,86/MWh e -R$ 43,85/MWh, respectivamente (com diferenças horárias atingindo até R$ 257,09/MWh). Isso comprova matematicamente que ambos os subsistemas sofrem de “restrição de exportação” (energia presa), escoando o máximo possível até os limites físicos da rede, o que pressiona os preços regionais para baixo.
📈 Submercado Sul – Restrição de Importação
Em contrapartida, o submercado Sul apresenta um descolamento positivo, operando com um spread médio de +R$ 57,08/MWh frente ao Sudeste/Centro-Oeste (com picos de ágio de até R$ 262,01/MWh). Esse comportamento evidencia uma nítida “restrição de importação”: o Sul não consegue acessar a energia mais barata dos demais submercados por gargalos de transmissão, obrigando o acionamento de despacho inflexível/geração local mais cara e gerando ágio regional severo.





